• Natália Ribeiro

Enem adiado. E agora?

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), principal ferramenta de acesso ao ensino superior no Brasil, será realizado nos dias 10 e 17 de Janeiro de 2021 no formato Enem impresso, e o Enem digital, nos dias 24 e 31 de fevereiro de 2021, embora não escolhidas pela maioria dos inscritos.


Segundo o Inep, foram registradas 6,1 milhões de inscrições no Enem. Mais da metade dos inscritos estão acima dos 20 anos e 1,4 milhão estão no 3º ano do ensino médio. O número de estudantes advindos do ensino público saltou 11,2% em relação ao ano de 2019 e chega este ano a 81,7% de todos os inscritos no exame.


Esses índices retratam o futuro das universidades e nos mostra que temos um cenário semelhante ao ano de 2018 quanto à desigualdade de acesso à internet e à tecnologia, quando estudantes de escola pública registraram as piores condições para assistir aulas online. Este ano, com o agravante da pandemia do novo coronavírus, os estudantes já estão há mais de 120 dias sem aulas presenciais e sem previsão de retorno. E quanto tempo ainda resta para estar preparado para o exame?


A realização do exame está próxima e o Brasil ainda tem estados e municípios que passarão pelo pico da pandemia entres os meses de julho e agosto, segundo a Funcional Health Tech, postergando ainda mais as possibilidades de regularização das aulas.


Diante da continuidade de aulas remotas por tempo indeterminado, serão necessárias estratégias coletivas urgentes para garantir a continuidade da aprendizagem e o acesso às informações e materiais de estudo de diversas fontes.


Uma delas seria a proposta feita pelo UNICEF ao Governo Federal e às empresas de telefonia: prover o acesso livre à internet para todas as famílias vulneráveis. Outra medida seria seria a realização de parcerias do Ministério da Educação com plataformas de conteúdos para que fossem acessadas de forma gratuita.


No âmbito da escola, a produção de aulas que sejam exibidas por outros meios de comunicação mais acessíveis – como rádio e TV local, e a disponibilização de materiais impressos.


É importante também fornecer orientação aos estudantes para que possam organizar os momentos de estudo e aplicar técnicas e ferramentas que auxiliem na assimilação desses conteúdos. Para os gestores escolares, é importante lembrar: acima de qualquer boa estratégia, é necessário priorizar o apoio emocional aos estudantes. Com ações coordenadas e coletivas é possível mitigar os danos causados aos futuros universitários, reforçando o aprendizado e engajamento nessa etapa importante.



Por Natália Ribeiro

Publicado em 25 de julho, 2020

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